Pragas Existentes
Domingo, 21 de Setembro de 2014, 23h24   (Atualizada 21/09/2014 às 23:24)

Insetos em Grãos Armazenados

São muitas as espécies de pragas que se encontram em produtos armazenados e seus subprodutos. Dentre elas, destacam-se os insetos como um dos mais importantes agentes responsáveis pelas perdas no período pós-colheita. A maioria das espécies são cosmopolitas, embora tenham sido disseminadas em todo o mundo, em razão, principalmente, dos intercâmbios comerciais.
    Os insetos que desenvolvem em produtos armazenados apresentam características de acordo com o ambiente que se encontram os grãos e subprodutos. São pequenos, adaptados a viver em ambientes muito secos e escuros, onde outros organismos não sobreviveriam. Quanto aos seus hábitos alimentares, os insetos podem ser classificados em primários, secundários e associados. Os primários são capazes de romper o grão para atingir o endosperma; os  secundários não são capazes de romper o grão e, geralmente, vivem associados aos insetos primários, pois, uma vez rompida a parte externa do grão, são capazes de se desenvolver; enquanto os insetos associados são freqüentemente encontrados nos grãos, porém, sem danificá-los; alimentam-se de detritos e fungos, podendo, no entanto, alterar a qualidade do produto final.
Os insetos se classificam em grupos com características gerais chamadas ordens; por sua vez, as ordens se dividem em famílias e estas em gêneros, que agrupam a várias espécies. A espécie engloba os indivíduos com morfologia similar, hábitos alimentares comuns e os que são capazes de reproduzir-se entre si, constituindo a base de referência para sua identificação e denominação.
Para designar uma espécie, dá-se um nome comum ou vulgar, mas muitas vezes este nome pode englobar várias espécies, como, por exemplo, a palavra gorgulho. Para evitar estes problemas, a cada espécie dá-se um nome científico, geralmente em latim, composto de duas palavras, a primeira corresponde ao gênero e a segunda, à espécie. Às vezes acrescenta-se uma terceira palavra, que corresponde ao nome da pessoa que o identificou. 
    Os principais insetos de grãos e subprodutos armazenados pertencem à ordem Coleoptera, pequenos gorgulhos, e à ordem Lepidoptera, mariposas ou traças. Os gorgulhos, também conhecidos como carunchos, são muito resistentes, o que lhes permitem o movimento pelos reduzidos espaços entre os grãos, inclusive nas grandes profundidades dos silos e graneleiros, onde os espaços são muito comprimidos. As mariposas são frágeis e, em geral, permanecem na superfície da massa de grãos, causando assim menos prejuízos que os gorgulhos. Os grãos e subprodutos podem, ocasionalmente, ser infestados por insetos muito pequenos, conhecidos como Psocoptera. São amplamente distribuídos nas Américas e na Europa. Alimentam-se de uma grande variedade de matéria orgânica e são considerados pragas pela sua presença e não pelos danos que causam.  

Uma das soluções para o problema de perdas ocasionadas por pragas em armazéns é o "Manejo Integrado de Pragas na Unidade Armazenadora de Grãos- MIP". O MIP consiste em tratamento preventivo, com base no preparo dos armazéns para receber os grãos. Muitas pragas se reproduzem na poeira e resíduos de grãos, causando prejuízos que podem ser evitados através de um processo de higienização, constituído de uma limpeza comum que usa apenas mão-de-obra, vassoura, aspirador e água. O mercado está cada vez mais rigoroso para com os padrões de qualidade. 
Manejo para redução de perdas de grãos armazenados compreende etapas, tais como: 
- Mudança de comportamento dos armazenadores: é a fase inicial e mais importante do processo, no qual as pessoas responsáveis que atuam na unidade armazenadora de grãos têm de estar envolvidas. É necessário que todos que lidam com o grão propriamente dito ou não, participem do processo. Nessa fase, o alvo é conscientizar sobre a importância de pragas no armazenamento e seus danos diretos e indiretos.
- Conhecer a unidade armazenadora de grãos: conhecida em todos os detalhes, por operadores e administradores, desde a chegada do produto à recepção até a expedição, após o período de armazenamento. Essa inspeção deve identificar e prever pontos de entrada e abrigo de pragas dentro do sistema de armazenagem. Nessa fase também deve ser levantado o histórico do controle de pragas na unidade armazenadora nos anos anteriores, identificando problemas passados. 
- Limpeza e higienização da unidade armazenadora: o uso de simples equipamentos de limpeza, como vassouras, escovas e aspiradores de pó em moegas, túneis, passarelas, secadores, fitas transportadoras, máquinas de limpeza, elevadores, nas instalações da unidade armazenadora representa os maiores ganhos deste processo. A eliminação dos focos de infestação dentro da unidade permitirá o armazenamento sadio. Após essa limpeza, o tratamento periódico de toda a estrutura armazenadora, com inseticidas protetores de longa duração, é uma necessidade para evitar reinfestação de insetos nesses. 
- Identificação de pragas: da identificação dependerão as medidas de controle a ser tomadas e a conseqüente potencialidade de destruição de grãos. As pragas em grãos armazenados podem ser divididas em dois grupos de maior importância econômica, que são besouros e traças. 
- Potencial de destruição de cada espécie-praga: devem ser entendidos, pois determinam a viabilidade de comercialização desses grãos armazenados. 
- Proteção do grão com inseticidas: depois de limpos e secos, e se houver armazenamento por períodos longos, os grãos podem ser tratados preventivamente com inseticidas protetores, de origem química ou natural. Esse tratamento visa garantir a eliminação de pragas que infestam o produto durante o armazenamento. No caso de inseticidas químicos, para proteção de grãos às pragas S. oryzae e S. zeamais, indica-se o uso de inseticidas organofosforados, uma vez que tais produtos são específicos para essas espécies-praga. Já para R. dominica, os inseticidas indicados são os piretróides. 
- Tratamento curativo: sempre que houver presença de pragas na massa de grãos, deve-se fazer expurgo, usando produto à base de fosfeto de alumínio (fosfina). Esse processo deve ser realizado em armazéns, em câmaras de expurgo, ou outros locais, sempre com vedação total, observado o período mínimo de exposição de quatro dias. 
- Monitoramento da massa de grãos: o acompanhamento da evolução de pragas, durante o período em que permanecerem armazenados, que ocorrem na massa de grãos armazenados é de fundamental importância, pois permite detectar o início da infestação que poderá alterar a qualidade final do grão. Esse monitoramento tem por base um eficiente sistema de amostragem de pragas e a medição de variáveis, como temperatura e umidade do grão, que influem na conservação do produto armazenado. Permite direcionar a tomada de decisão do armazenador, para garantir a qualidade do grão. 
O inseto-praga mais comum constatado em grãos de arroz armazenados em Roraima é o gorgulho (Sitophilus spp.) seguido do besourinho (Rhizopertha dominica), insetos que estragam mais grãos do que precisam para se alimentar. No entanto, o inseto não sobrevive em ambientes limpos. O controle é facilitado quando a ação é preventiva, isto é, com o inseto eliminado do armazém antes da entrada dos grãos, pois a quantidade que pode vir do campo é reduzida. 
A utilização incorreta de agroquímicos para o controle das pragas pode comprometer a qualidade dos grãos. O MIP Grãos adequado reduz a quantidade de inseticidas químicos a serem utilizados, em Roraima e no Brasil, nas aproximadamente 100 mil toneladas de grãos armazenados anualmente.

Fonte:
+ Fotos
Voltar


Dedetizadora Estrela © Copyright 2020 - Todos os Direitos Reservados
WEB SITE DESENVOLVIDO E HOSPEDADO POR: MRX WEB SITE - WWW.MRXWEB.COM.BR